Para celebrar 10 anos*

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Pablo de la Rocha

*texto originalmente publicado em 2020

Em um mundo que mudou tanto em questão de meses, é engraçado falar sobre mudanças como a Fuerza tem feito desde que lançamos nosso site mais recente. Mais engraçado ainda falar sobre as previsões erradas que tantas personalidades fizeram — mote da nossa pequena campanha pra celebrar o nosso aniversário de 10 anos.

Por que engraçado?

(Além da imprevisibilidade de estarmos vivendo uma pandemia…) Porque há um ano atrás, bem perto da nossa celebração de 9 anos, nós recebemos uma notícia bastante desagradável que iria ter um impacto bem grande na vida e saúde não só da Fuerza como empresa, mas também na vida pessoal de todos os que trabalhavam conosco naquele momento. Uma “puxada de tapete” (na verdade foram algumas inacreditáveis puxadas de tapete em sequência, pra ser mais exato) dessas que o mercado dá de vez em quando, e de onde normalmente são tomadas as decisões que vão afetar profundamente o futuro e definir o rumo e sobrevivência do negócio. Qual a decisão certa? Eu lembro de pensar: “se eu tivesse uma máquina do tempo iria para um ano no futuro para saber se as decisões que tomamos estão corretas”. Portanto existe uma boa dose de ironia aí no posicionamento atual da Fuerza que o nosso time criativo propôs de forma muito feliz.

A Fuerza nestes 10 anos…

A incerteza era tanta que a gente mal comemorou nossos 9 anos. Nos primeiros dias, o clima era tenso entre os poucos que sabiam o que estava em jogo. Eram dias pesados, de decisões difíceis e de insegurança. Falando em futuro, a gente não conseguia imaginar o que iria acontecer a curto prazo, mas sabíamos que era hora de fazer alguma coisa. Pensávamos positivo, mas confesso que não tinha tanta certeza de que comemoraríamos nossos 10 anos — taí uma previsão errada (Ok COVID, nem tão errada assim) — muito menos com uma empresa em franco crescimento como acontece hoje.

Corta pra 2010, quando fui visitar um estúdio web de médio porte de Porto Alegre, chamado Baia, onde eu tinha alguns amigos e ex-colegas trabalhando. A ideia era ir lá pegar um briefing para orçar um novo projeto como freela. Isso após as 19h pois ainda estava vivendo uma experiência de quase 5 anos empregado numa agência cujo crescimento acompanhei de perto, com suas dores e dramas — anos depois viria a descobrir que crescer (ou não) não era uma decisão fácil! Olhei com admiração esse pequeno estúdio, que tinha clientes muito legais, liberdade criativa e executava projetos lindos, sem falar na linda sala duplex com terraço. Achava incrível os caras terem clientes tão bons, conseguirem se manter pequenos e fiéis às suas origens, defendendo seus projetos sem mil processos e envolvimento de dezenas de palpiteiros.

Eu pensava: “quero trabalhar aqui”. Ainda não estava 100% certo de que queria empreender, embora inconscientemente já tivesse iniciado uma empreitada, com muito incentivo de dentro de casa, da minha maior apoiadora e parceira que eu poderia ter nessa vida. Na época ainda não tinha a coragem de formular um pensamento do tipo “quero criar um lugar igual a esse”, até porque mal conseguia pagar o aluguel da minha própria casa. Mas talvez aí tenha sido o “clique” inicial que, com ajuda de alguns primeiros colegas que pensavam da mesma forma, mas que em pouco tempo desistiram da ideia, ganhou esse nome fuerte (valeu Pak!), aos poucos foi crescendo, tomando forma e, com a ajuda de um novo sócio, também o melhor parceiro que eu poderia ter na vida de empreendedorismo, vencendo uma batalha atrás da outra ano após ano, chegamos à nossa sala — coincidência ou não, um belo duplex com um terraço bacana e tudo aquilo que eu achava incrível na Baia. É claro que o meu aprendizado de anos como funcionário em agências me guiou no sentido de saber o que eu não queria reproduzir para a Fuerza e isso procuramos manter até hoje, mesmo com o crescimento. Fora isso, eu não tinha a menor ideia do que era empreender e, honestamente, acho que ninguém nunca tem até estar no meio da história. Aqui no Sul usamos o termo “peitaço” para o início desse tipo de empreitada, mas deveria se chamar “cagaço”.

Voltando para 2019 e a espessa nuvem escura que pairava sobre a Fuerza foi quando eu tive um insight (bem tardio, é verdade). Quando demos as pesarosas notícias para a equipe, então composta por 15 pessoas, a gente viu reações das mais diversas, mas de uma forma geral, reações positivas e uma intenção clara de “pegar junto”. Em vez de surgir uma percepção de derrota, o que sentimos com a ajuda do time foi a presença de uma oportunidade pra mudar e fazer melhor. Após estas reações, decidimos que por mais difícil que fosse, manteríamos toda a equipe o máximo de tempo possível. Com alguns sacrifícios, não abrimos mão de ninguém. Entendi que o que fazia a Baia em 2010 ser uma coisa tão legal eram as pessoas que estavam nela e o que faz a Fuerza ser um gigantesco motivo de orgulho pra mim é o fato de termos um grupo tão talentoso criando coisas tão incríveis que nem nos meus sonhos ousei criar. Pessoas. Não um duplex, com uma decoração bacana e um belo pátio com sol.

Quase toda a equipe em 2019

Somos muito mais que isso. Somos um “não-lugar” que permite aos seus talentos a possibilidade de criar para clientes dos mais variados tamanhos e tipos. Somos uma equipe pequena, mas eficiente, cheia de boas ideias inovadoras, sem todo aquele aparato e procedimentos que as grandes agências cada vez mais empurram goela abaixo. Cada pessoa envolvida em um projeto é encorajada a ser criativa e trazer soluções, independente do grau de experiência ou função. Muito tem se falado sobre os novos rumos após a quarentena. O tal “novo normal”. Hoje não me preocupo com isso, pois tenho a certeza de que não somos apenas um lugar bacana, mas uma ideia que foi posta à prova centenas de vezes. Somos 22 cabeças hoje, que mesmo sem uma sala, permanece unida e fazendo projetos cada vez mais desafiadores. A mudança é necessária e é o nosso desafio diário.

Foram 10 anos suados, mas olhar para trás é um alento e a certeza de que estamos no rumo certo. Se eu tivesse aquela máquina do tempo, teria visto que nossas decisões em meio à crise não poderiam ter sido melhores.

Por isso agradeço primeiro à minha mulher Leandra e minha filha Felicia, por aguentarem meu stress/mau humor nos momentos de crise e por darem todo o apoio necessário, meu sócio e irmão Diego por dividir o peso das decisões comigo e tocar essa empresa pra frente e também a todos os que já passaram por aqui, mas principalmente aos que permanecem conosco nessa ideia: Jardel, Eduardo, Gabriela, Foca, Thom, Matheus, Fábio, Rodrigo, Cassiano, Rapha, Victor, Paulo, Pietro, Jhowl, Augusto, Jonatan, Kayo, Gabriel, Alefy e Alexandre. Vocês fizeram o peitaço virar sinônimo de plenitude.

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